Pesquisadores formados na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) criaram uma nova metodologia voltada à valoração econômica da Caatinga, com aplicação em procedimentos judiciais e administrativos relacionados ao bioma. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros Luan Oliveira (agrícola) e Rienzy Brito (civil) e envolve técnicas de sensoriamento remoto e uso de índices ambientais.
A proposta, apresentada em 18 de janeiro de 2026 durante evento acadêmico em Campina Grande (PB), reúne etapas de coleta e processamento de imagens de satélite, análise de indicadores de vegetação e cruzamento de dados legislativos sobre compensação ambiental. Entre os parâmetros utilizados, destacam-se o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) e o NBR (Índice de Queimadas), que permitem diagnosticar o estado de conservação e detectar áreas degradadas.
Segundo Oliveira, a metodologia calcula o valor dos serviços ecossistêmicos prestados pela Caatinga – como sequestro de carbono, produção de água subterrânea e manutenção da biodiversidade – atribuindo valores monetários por hectare. “A partir desses indicadores, conseguimos estabelecer faixas de compensação financeira para casos de dano ambiental, multas ou licenciamento, de forma fundamentada e transparente”, explicou o engenheiro agrícola.
Brito acrescentou que o sistema também incorpora dados de legislações ambientais federais e estaduais, garantindo que os valores propostos estejam em conformidade com normas vigentes. A ferramenta foi testada em três municípios do Estado da Paraíba, onde os resultados indicaram ampla aplicabilidade em processos de reparação de áreas degradadas e de definição de termos de ajustamento de conduta.
O trabalho contou com orientação do professor doutor Marcelo Sousa, do Departamento de Engenharia Ambiental da UFCG, e deverá ser submetido a pedido de patente. A expectativa dos autores é disponibilizar a metodologia sob forma de software, facilitando o uso por órgãos públicos, empresas de consultoria e demais instituições relacionadas à gestão ambiental.
Com a valoração da Caatinga, os engenheiros esperam contribuir para a preservação do bioma, promovendo decisões mais justas em disputas judiciais e políticas de compensação. A metodologia, segundo os pesquisadores, pode servir de modelo para outros biomas brasileiros.
Com informações de Paraibaonline




