As línguas de sinais se organizam por meios visuais e espaciais, combinando gestos das mãos, expressões faciais e posicionamento corporal simultâneo, o que difere da estrutura linear baseada em sons das línguas faladas, como o português. Essas diferenças tornam algumas abstrações mais complexas de traduzir para a linguagem sinalizada.

Por esse contexto, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) comemorou em abril a formatura de Ricardo Medeiros, o primeiro aluno surdo a concluir o curso de Direito da instituição. No mesmo mês, Renan Nascimento se graduou em Pedagogia.

Ricardo apresentou como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) a trajetória pessoal e seu protagonismo enquanto estudante surdo no curso de Direito, abordando também a necessidade de adaptações no ensino superior para alunos surdos. Ele relatou enfrentar barreiras linguísticas dentro do curso, ter que pesquisar termos e expressões do português para compreendê-los em Libras e superar diversas dificuldades por meio de persistência e estudo.

Renan destacou que, por vezes, sentiu-se tenso por ser o único estudante surdo em algumas turmas. Ele recebeu apoio de colegas, incluindo alunos que atuaram como apoiadores mesmo sem dominar Libras, auxiliando nas adequações gramaticais. Atualmente trabalhando como estoquista em uma farmácia, Renan pretende ingressar em pós-graduação em Educação e está organizando seu projeto de pesquisa, com intenção de, no futuro, atuar também como professor de Libras.

Suporte ao aluno

A UFPB tem ampliado as ações institucionais voltadas à inclusão de estudantes com necessidades especiais. O acompanhamento desses discentes é realizado pelo Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA), que registrou aumento de 20% no número de alunos assistidos em 2025.

Dina Melo, coordenadora do Núcleo de Educação Especial (Nedesp) da UFPB, explica que, ao ingressarem, estudantes com necessidades educacionais especiais passam por entrevista com assistente social e pedagogo, e o coordenador do curso é informado sobre a deficiência. Há diversos núcleos vinculados ao CIA disponíveis para atendimento, cujas informações constam no site do comitê.

Além disso, o acompanhamento pelo Nedesp pode ocorrer por um ou dois semestres, conforme necessidade, e os alunos com deficiência têm prioridade na solicitação de auxílios estudantis.

Ricardo pretende dar continuidade à formação acadêmica e se prepara para concorrer a uma vaga no mestrado em Direitos Humanos da UFPB.

Com informações de Paraiba