O emprego das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil teve aumento de 88% em 2025 na comparação com 2024, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), e levanta preocupações sobre o uso sem acompanhamento médico. A categoria inclui semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida, medicamentos indicados em contextos clínicos específicos.
Indicações terapêuticas
Médicos apontam que essas drogas são ferramentas no tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e de outras condições crônicas associadas ao excesso de peso. O cirurgião especialista em Aparelho Digestivo Geraldo Camilo destacou que, além de promover perda de peso e melhorar o controle glicêmico, o uso adequado pode reduzir inflamação, diminuir o acúmulo de gordura hepática e contribuir para melhora da pressão arterial, dos perfis lipídicos e de quadros como a apneia do sono, com impacto na qualidade de vida.
O especialista também observa que o monitoramento do paciente deve contemplar indicadores além da balança, incluindo exames laboratoriais, marcadores inflamatórios e parâmetros metabólicos.
Apoio nutricional e cuidados durante o tratamento
A nutricionista e doutora em Ciências da Nutrição Karolinny Sampaio afirma que, quando combinadas com um plano alimentar estruturado, essas medicações podem potencializar o emagrecimento de forma mais saudável. Ela ressalta a necessidade de atenção à ingestão adequada de proteínas para preservar massa muscular durante a redução calórica.
Karolinny alerta também para o acompanhamento de vitaminas e minerais, já que a diminuição do volume alimentar pode aumentar o risco de deficiências nutricionais se não houver orientação profissional.
Alerta da Anvisa e eventos adversos
Em 9 de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um alerta sobre risco de pancreatite associado ao uso desses medicamentos. Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025 foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos, das quais seis tiveram desfecho de óbito. Outros 65 óbitos ocorridos entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025 estão sob investigação. A Anvisa informa que os casos continuam em análise e que a relação causal ainda está sendo apurada.
Especialistas reiteram que a prescrição deve ser individualizada e acompanhada por profissionais de saúde de forma regular.
Desmame e risco de reganho de peso
Profissionais destacam a necessidade de um desmame gradual ao atingir a meta de perda de peso. O retorno abrupto das medicações pode favorecer o reganho, não apenas pelo aumento do apetite, mas também por alterações metabólicas que reduzem o gasto energético basal e modificam hormônios relacionados à fome e à saciedade, como a queda da leptina e o aumento relativo da grelina.
O plano alimentar da fase de manutenção deve considerar a quantidade de gordura corporal e massa magra perdida, metas pendentes e o perfil metabólico e clínico do paciente. O acompanhamento com nutricionista permite monitorar composição corporal, exames laboratoriais, evolução do peso e sinais de fome excessiva ou alterações metabólicas, reduzindo o risco de recuperação agressiva do peso.
Com informações de Jornaldaparaiba



