A Estação Ciências, Cultura e Arte Cabo Branco, projetada por Oscar Niemeyer e considerada um dos ícones arquitetônicos de João Pessoa, volta a ser centro de controvérsia. O equipamento, administrado pela Prefeitura de João Pessoa, tem sido cedido a eventos privados que, segundo críticas, descaracterizam o propósito original do espaço.
Leilão agendado para sábado
No próximo sábado (29), às 19h, o local receberá o 2º Leilão Vitrine Paradise, promovido pela empresa Cavalos de Vitrine, especializada na venda de exemplares da raça Quarto de Milha. A divulgação do certame acrescenta à lista de iniciativas como shows, festivais gastronômicos e instalação de brinquedos que já ocuparam a área.
Críticas de Milanez Neto
O vereador Milanez Neto afirma que faltam critérios para a liberação do espaço e relata ocorrência de um tiroteio nas proximidades da Estação durante evento anterior. “É uma falta de respeito. Existe uma interdição de circulação de veículos a 300 metros e estão promovendo festas para 15 mil pessoas”, declarou em entrevista ao portal ClickPB.
Equipamento cultural estratégico
Erguida em um terreno de 8.571 m², cercada por remanescentes de Mata Atlântica, a Estação está situada entre o Farol do Cabo Branco e a Ponta do Seixas, ponto mais oriental das Américas. Inaugurada em 2008, consumiu investimento de R$ 33,5 milhões, com aporte do então Ministério da Ciência e Tecnologia. O conjunto abriga exposições permanentes e obras de artistas como Abelardo da Hora, Fred Svendsen e Flávio Tavares.
Moradores e visitantes temem danos tanto à estrutura quanto às peças artísticas instaladas ao ar livre. A repercussão negativa cresceu nas redes sociais, acompanhada de relatos sobre acúmulo de lixo após grandes eventos realizados no entorno.
Banheiros químicos armazenados no local
Somou-se ao debate a exposição de dezenas de banheiros químicos estocados no pátio da Estação. A situação foi criticada pelo ex-governador Ricardo Coutinho, que lembrou o caráter científico e cultural do espaço. Para ele, transformar o complexo em depósito ou cenário para festas “ignora a importância histórica” do equipamento, que já recebeu milhões de visitantes desde a inauguração.
Até o momento, a Prefeitura de João Pessoa não divulgou posicionamento oficial sobre o uso do monumento para o leilão de cavalos nem sobre o armazenamento de estruturas sanitárias. Questionamentos sobre futuras atividades e eventuais medidas de preservação continuam em aberto.
Com informações de Clickpb



