O professor de Literatura e História da Arte Rodrigo Paes abordou a literatura afro-brasileira e a decolonialidade em uma nova videoaula do projeto Lá Vem o Enem, destinada a estudantes que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. A apresentação relaciona autores negros centrais à compreensão de questões sociais, históricas e culturais cobradas na prova.
Paes ressalta a necessidade de reconhecer vozes que foram historicamente marginalizadas pela narrativa tradicional, marcada por perspectivas coloniais. O conceito de decolonialidade, segundo a exposição, consiste em questionar valores hegemônicos e ampliar o espaço de grupos silenciados em debates sobre raça, classe, gênero e sexualidade.
Cerca de 80% das questões de Linguagens relacionadas à História da Arte, Literatura e Interpretação Textual dialogam diretamente com essa temática, afirma o professor. Ele também destaca que, no Enem 2026, cinco questões trataram de conteúdos vinculados à decolonialidade e à literatura afro-brasileira.
Autores e obras citados
Na videoaula, Paes organiza uma linha do tempo para demonstrar que a produção afro-brasileira atravessa diferentes períodos históricos. Entre os nomes mencionados está Maria Firmina dos Reis, apontada como a primeira romancista negra do Brasil, autora de Úrsula, obra de caráter abolicionista do século XIX.
Também são citados Machado de Assis, autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, como referência para discutir o Realismo e as transformações sociais no período que antecedeu o fim da escravidão e a Proclamação da República; Cruz e Sousa, poeta simbolista que incorporou a experiência do racismo em sua produção; e Lima Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, que trata de identidade nacional e da República.
No conjunto de escritoras, a aula destaca Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que narra a realidade da população periférica a partir de sua experiência de vida; Conceição Evaristo, conhecida por contos, poemas e romances; e Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor e primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras.
O professor inclui ainda autores contemporâneos como Jefferson Tenório e Itamar Vieira Junior, cujas obras abordam racismo, desigualdades sociais e conflitos relativos à luta pela terra.
Como o tema pode aparecer no Enem
Segundo a exposição, a decolonialidade permite articular Literatura e História com debates sociais, auxiliando na interpretação de textos e na identificação de críticas às estruturas de poder. A orientação do professor é observar quem narra a história do Brasil e quais perspectivas foram excluídas das narrativas tradicionais, elemento que ajuda a decodificar questões que exploram preconceitos e desigualdades.
Para quem deseja aprofundar-se no tema e em outras orientações para o exame, o conteúdo do projeto está disponível online. Acompanhe o Lá Vem o Enem no site oficial: https://lavemoenem.com.br/.
O material apresenta referências e exemplos práticos para relacionar autores, obras e contextos históricos às competências cobradas pelo Enem, com ênfase na leitura crítica e na reflexão sobre vozes historicamente invisibilizadas na literatura brasileira.
Com informações de Jornaldaparaiba




