O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, faleceu na sexta-feira, 8 de maio de 2026, no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A família confirmou o óbito por meio de comunicado; a unidade de saúde não divulgou a causa da morte.
A família, em nota, destacou a trajetória de Chico Lopes como um nome de destaque no pensamento econômico brasileiro e afirmou que ele deixou contribuição relevante para o desenvolvimento do país, ressaltando sua inteligência, firmeza intelectual e dedicação ao Brasil ao longo de décadas de trabalho.
Formação e carreira
Natural de 1945, Chico Lopes formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obteve mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foi professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e na Universidade de Brasília (UnB) e fundou a consultoria Macrométrica.
Atuação no Banco Central
Com passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987, Lopes atuou como diretor do Banco Central entre 1995 e 1998 e exerceu a presidência interina da instituição em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Em março de 1999, após a posse de Armínio Fraga, deixou o Banco Central.
Durante sua curta presidência, enfrentou a transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante, no contexto de uma crise cambial. Sua gestão também ocorreu em meio à operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam, que gerou perdas para o Banco Central e foi posteriormente alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Financeiro. Lopes sustentou na época que as medidas adotadas eram legais e tinham o objetivo de evitar a falência das instituições e uma crise financeira mais ampla.
Reconhecimento e legado
O Banco Central divulgou nota afirmando que recebeu a notícia com profundo pesar e ressaltou que Lopes dedicou décadas ao enfrentamento da inflação crônica nas décadas de 1980 e 1990. A instituição apontou como contribuição duradoura a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por conduzir a política monetária e definir a taxa Selic, conferindo previsibilidade e transparência às decisões.
Chico Lopes participou dos debates sobre planos anti-inflacionários, como Cruzado e Bresser, e teve papel nas discussões que levaram à consolidação do Real. Em depoimento publicado pelo Banco Central em 2019, ele detalhou sua trajetória pessoal, acadêmica e profissional.
Velório e família
O velório será realizado no sábado, 9 de maio de 2026, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, com início às 13h e cremação prevista para as 16h. Chico Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos, três filhos e sete netos.
Com informações de Agência Brasil



