O dia 08 de maio, data em que se comemora o Dia do Profissional de Marketing, reforçou a relevância crescente dessa área no ambiente empresarial e político. Profissionais do setor atuam como gestores de reputação e intermediários entre propostas de candidatos e eleitores, e, para as eleições de 2026, seu trabalho deverá combinar práticas tradicionais — como rádio, televisão e campanha de rua — com recursos digitais, análise de dados e inteligência artificial.

Filipe da Mata, que soma dez anos de experiência em marketing empresarial e político, afirma que o principal desafio para a área nas próximas eleições será fortalecer a democracia. Segundo ele, o marketing bem conduzido permite que o eleitor conheça candidatos e propostas, o que contribui para decisões mais informadas. Para isso, destaca a necessidade de estudo, pesquisa e aplicação de métodos especializados em campanhas eleitorais e institucionais, já que cada eleição tem características próprias.

Para 2026, Filipe aponta que profissionais de marketing precisam identificar e evidenciar as pautas que mais impactam o cotidiano das pessoas, transformando esses temas em debate público e propostas. Ele lista as principais questões nacionais que devem influenciar também as disputas estaduais: combate ao crime organizado, combate à violência contra a mulher e temas ligados ao funcionamento das cidades, como saúde, educação e infraestrutura.

Com as transformações na comunicação, especialmente no ambiente digital, o especialista ressalta que criatividade e segmentação inteligente são essenciais. Ele afirma que as redes sociais não substituem os meios tradicionais — rádio e TV — e que o marketing deve integrar esses canais para alcançar o público-alvo.

Onde começa a desinformação?

O avanço da velocidade de circulação de informação, a polarização e o excesso de conteúdo dificultam a compreensão das mensagens eleitorais. Filipe observa que o marketing político atua em um cenário marcado por desinformação e pelo uso de inteligência artificial, e aponta formas recorrentes desse problema: disparos em massa de notícias falsas, contexto deletado (trechos retirados para alterar sentido), Astroturfing (simulação de apoio popular por bots ou perfis falsos) e deepfakes (áudios, imagens ou vídeos gerados por IA que substituem a voz ou o rosto de alguém).

Embora considere a desinformação um grande obstáculo para o trabalho do marketing e de outras áreas, Filipe vê a inteligência artificial como uma ferramenta que pode otimizar processos internos e pesquisas, desde que utilizada corretamente.

Em resposta a esse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) tem direcionado ações para monitorar redes sociais e coibir o uso ilícito da IA na produção de conteúdo para propaganda eleitoral, cuja propaganda está prevista para começar em 16 de agosto. O TRE-PB também realiza ações educativas para orientar eleitores a identificar conteúdos falsos.

José Cassimiro Júnior, coordenador de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética do TRE-PB, informou que o monitoramento envolverá não apenas a Justiça Eleitoral, mas todos os usuários das redes sociais. Propagandas que descumprirem regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) serão investigadas e poderão resultar em processo legal contra os responsáveis.

A Coordenadoria de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética (COESC) do TRE-PB é a área encarregada de planejar e coordenar atividades de segurança cibernética e suporte aos equipamentos de votação eletrônica. Cassimiro Júnior afirmou que a Justiça Eleitoral está se preparando para “combater tecnologia com tecnologia”, utilizando ferramentas semelhantes para identificar e punir crimes praticados por meio de IA.

Com informações de Polemicaparaiba