A Polícia Federal aponta que o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, teria controlado R$ 119 milhões em emendas de comissão registradas formalmente em nome de deputados do partido.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a investigação da PF identifica como autores formais das emendas os deputados Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, Luiz Carlos Motta (SP) e Capitão Alden (BA). A apuração indica, porém, que as decisões sobre a destinação dos recursos teriam sido tomadas por Valdemar.

Bloqueio de bens e apuração no STF

O caso levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino a determinar o bloqueio de bens de Valdemar da Costa Neto em valor de até R$ 119 milhões. A PF sustenta que Valdemar direcionou 21 emendas de comissão liberadas pelo governo federal entre 2024 e 2025, mesmo sem ocupar mandato parlamentar.

Investigadores também apontam que servidores da Câmara dos Deputados teriam sido utilizados para operacionalizar a distribuição dos recursos dessas emendas de comissão, mecanismo estabelecido após o fim do chamado orçamento secreto. Levantamento feito pelo Estadão com base em dados do governo federal, da Câmara e da própria Polícia Federal mostra que Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden aparecem oficialmente como solicitantes das emendas.

Posições dos envolvidos

Os parlamentares citados negam irregularidades. Luiz Carlos Motta afirmou que seu nome consta nas emendas porque atuou como relator do Orçamento de 2024. Capitão Alden declarou que todas as indicações seguiram os trâmites institucionais. Sóstenes Cavalcante não se manifestou sobre as suspeitas até o momento.

A defesa de Valdemar da Costa Neto publicou nota criticando a decisão do STF e alegou haver uma “indevida criminalização da atividade político-partidária”.

A investigação da Polícia Federal permanece em andamento, com foco na origem das indicações e na operacionalização das emendas de comissão apontadas pelos investigadores.

Com informações de Polemicaparaiba