Lígia Feliciano foi escolhida como candidata a vice na chapa do governador Lucas Ribeiro em meio a uma crise na base governista, mas a indicação é vista como de baixo impacto político, segundo relatos do processo de escolha.
O retorno de Lígia ao centro da cena política paraibana ocorre após um período de baixa exposição pública. Em outubro de 2021 o Blog registrou o afastamento da então vice-governadora das agendas do governo João Azevêdo I. Meses depois, em dezembro, ela protagonizou um rompimento público com o grupo ao afirmar, em vídeo nas redes sociais, que a Paraíba era uma “mulher sofrida”.
Naquele momento, após sete anos na vice-governadoria, Lígia buscou projeto próprio e pretendia disputar o governo do Estado. O projeto, contudo, não avançou: em agosto de 2022, pouco antes da eleição, ela retornou à base governista.
Após concluir o segundo mandato como vice, a médica de Campina Grande atuou na campanha de reeleição do marido, o deputado federal Damião Feliciano. Durante o governo João Azevêdo II, permaneceu distante dos holofotes, até reaparecer recentemente no cenário quando a coalizão governista enfrentou um impasse.
Esta não é a primeira vez que Lígia ocupa a função: em 2014 ela foi indicada para a vaga de vice dois dias depois de o então governador Ricardo Coutinho não conseguir fechar a chapa na convenção que marcou sua reeleição.
Desta vez, a escolha demorou quase uma semana após a convenção realizada no “último dia 5” para ser definida. Com vetos a nomes como Adriano Galdino (Rep), Eduardo Carneiro (PP) e coronel Viviane Vieira (PSB), a ex-vice acabou sendo apontada como opção para compor a chapa.
O nome de Lígia foi entendido como uma alternativa “caseira” dentro da federação União Progressistas, controlada pelo tio de Lucas, o deputado Aguinaldo Ribeiro. Atendeu a um dos critérios discutidos pela base — o de ter uma mulher na composição —, mas não trouxe representatividade de João Pessoa: tanto ela quanto o governador são de Campina Grande.
Do ponto de vista eleitoral, dirigentes avaliam que a indicação tende a somar pouco. Lígia já integrava a base governista e não vinha tendo protagonismo no debate público durante o governo João Azevêdo II, embora seu currículo de dois mandatos como vice possa ajudar a rebater críticas sobre “inexperiência” nos primeiros debates.
Além disso, integrantes do grupo observam que o nome não deverá conseguir sanar as fissuras internas geradas pela disputa, uma vez que, ao contrário de 2014, havia várias alternativas com projetos próprios que não foram contempladas.
Posse e atos públicos marcaram o retorno de Lígia ao centro da disputa, mas a escolha foi obtida após negociações e vetos dentro da base aliada.
Com informações de Jornaldaparaiba

