Foi implantada no Hospital Regional de Cajazeiras (HRC) uma Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) com o objetivo de descentralizar as ações de captação de órgãos na Paraíba. Em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, a médica intensivista Thays Gomes, a enfermeira Elis Bezerra e a assistente social Paula Frassinetti explicaram como a equipe atuará e por que a presença local é considerada estratégica.
Quem e onde
A e-DOT passa a operar no HRC, com atuação multiprofissional que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. A iniciativa busca aproximar a estrutura de atendimento das vítimas de traumas cranianos graves ocorridos na região do Sertão.
O que muda e como funciona
Segundo Thays Gomes, a equipe segue um protocolo rigoroso para o diagnóstico de morte encefálica, procedimento técnico feito por diversos profissionais para confirmar a conduta. Após a constatação da morte encefálica, os órgãos em condições de doação podem ser ofertados para transplante, mediante autorização familiar.
Thays também esclareceu que a alocação de receptores não obedece a uma ordem simples de chegada. A lista de transplantes considera prioridades clínicas: fatores como comorbidades e gravidade da doença podem alterar a sequência de atendimento entre pacientes cadastrados.
Por que a iniciativa é necessária
Elis Bezerra ressaltou a importância de expandir o trabalho da Central de Transplantes da Paraíba para o interior, citando a necessidade de superar barreiras culturais e ampliar a discussão pública sobre doação. Ela afirmou que o trabalho exige preparo contínuo e projetos de educação que trarão resultados a médio e longo prazo.
Atuação multiprofissional e relação com a família
Paula Frassinetti destacou o papel da equipe multidisciplinar no acolhimento de famílias e na assistência a pacientes politraumatizados. Ela lembrou que a legislação brasileira exige manifestação familiar no momento da doação, por isso a importância de a pessoa expressar sua vontade em vida e de haver diálogo prévio entre parentes.
A implantação da e-DOT no HRC permitirá ao município executar o acolhimento adequado, o protocolo diagnóstico e a captação de órgãos e tecidos, incluindo rins, coração e córneas, com potencial para reduzir o tempo de espera dos pacientes cadastrados e fortalecer a rede de transplantes em toda a Paraíba.
O projeto também foi associado à necessidade identificada pela coordenação da Central de Transplantes, representada pela Dra. Rafaela, de ramificar o serviço para o Sertão, já que muitos potenciais doadores são atendidos na região.
Com a equipe em funcionamento, a expectativa é de ampliar a capacidade regional de captação e atender de forma mais rápida e integrada os pacientes que aguardam transplantes.
Com informações de Diariodosertao



