Adolescente tem primeira audiência sobre morte em quarto de hotel no bairro de Manaíra
O adolescente acusado de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, participou nesta segunda-feira (17) da primeira audiência do caso, realizada por meio remoto. A audiência de instrução ficou agendada para o dia 31 de agosto.
Segundo a Polícia Civil, o jovem se apresentou às autoridades em Caicó, no Rio Grande do Norte, no dia 27 de julho, acompanhado por um advogado. Na manhã do dia 28, após depor, ele foi transferido para João Pessoa, onde o caso passou a ser investigado pela Delegacia da Infância e da Juventude.
De acordo com o delegado Diego Garcia, o suspeito chegou a João Pessoa no dia 23 de julho. Ainda segundo a Polícia Civil, naquele mesmo dia ele acessou um site de relacionamentos, encontrou o anúncio de Washington Rodrigo e, por meio do contato disponibilizado na plataforma, iniciou a comunicação que prosseguiu por um aplicativo de mensagens. O encontro entre os dois foi marcado para o dia seguinte.
A defesa apresentou versão similar, afirmando que o adolescente pesquisou anúncios na internet e teria escolhido Rodrigo de forma aleatória. Para entrar no hotel, o suspeito teria usado um documento falso.
Familiares informaram que Washington trabalhava como motorista autônomo e havia dito à mãe que faria uma corrida até Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.
O encontro no hotel ocorreu na madrugada de sexta-feira, dia 24. Conforme as investigações, o adolescente relatou ter se sentido intimidado ao supor que a vítima teria fotografado parte do encontro íntimo. Ainda segundo o delegado Diego Garcia, o jovem afirmou ter usado uma pistola de airsoft para forçar Washington a entregar a senha do celular e o fez algemar como parte de uma encenação.
O suspeito declarou que, em seguida, utilizou o cabo do secador de cabelo do próprio hotel para estrangular a vítima, cuja morte foi confirmada pelo Instituto de Medicina Legal (IML) por asfixia. O diretor do IML, médico Flávio Fabres, informou que o corpo apresentava sinais compatíveis com tortura.
Após o crime, o adolescente tentou sair do hotel com o carro da vítima, mas não conseguiu, e deixou o local por conta própria. De acordo com o delegado Cristiano Santana, ele seguiu comportamento “normal”, chegando a fazer publicações em redes sociais como se nada tivesse ocorrido. O corpo foi encontrado por uma copeira do hotel.
Durante as diligências, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e algemas, objetos que, segundo os investigadores, contribuíram para esclarecer a dinâmica do crime. Não foram encontrados entorpecentes no quarto.
A corporação informou ainda que o adolescente acumula pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte e já teve internação em unidade para menores infratores. Entre os registros constam atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica.
O caso segue sob investigação da Delegacia da Infância e da Juventude, enquanto a audiência de instrução foi remarcada para 31 de agosto.
Com informações de G1



