Na sexta-feira (9), os embaixadores da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo comercial firmado com o Mercosul, avaliado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) como capaz de impulsionar as vendas externas do Brasil em cerca de US$ 7 bilhões.

Segundo o relatório da ApexBrasil, a redução imediata de tarifas terá impacto direto sobre setores industriais estratégicos do país. Entre os segmentos que devem sentir os efeitos mais rapidamente estão o de máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças — incluindo motores de pistão — e aeronaves.

Além desses, o estudo aponta oportunidades de ganhos também para a cadeia de couro e peles, o setor de pedras de cantaria, fabricantes de facas e lâminas, bem como para diversos ramos da indústria química. A agência destaca que a diminuição das barreiras comerciais tende a diversificar a pauta exportadora, ampliando a presença de produtos manufaturados brasileiros na União Europeia.

Impacto gradual nas commodities

ApexBrasil projeta efeito mais lento para produtos agrícolas e de origem animal, que serão enquadrados em cronograma de eliminação tarifária de até 10 anos. Entre eles, estão carne de aves, carne bovina e etanol. Essas reduções obedecerão a cotas estabelecidas e a mecanismos de salvaguarda, destinados a monitorar o fluxo de importações e proteger os produtores europeus.

Multilateralismo

Em nota oficial, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou que o pacto representa um fortalecimento do multilateralismo num momento marcado por disputas comerciais e pelo enfraquecimento de instituições internacionais. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, ressaltou.

Viana destacou ainda que o mercado conjunto do Mercosul e da União Europeia soma mais de 700 milhões de consumidores e tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em quase US$ 22 trilhões, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de US$ 29 trilhões, e superando a China, com aproximadamente US$ 19 trilhões.

Com a pauta exportadora brasileira mais diversificada e o acesso progressivo a um dos maiores mercados globais, o Brasil espera consolidar e ampliar sua participação nas cadeias internacionais de valor.

Com informações de Agência Brasil