O governo brasileiro apontou progresso nas conversas com os Estados Unidos para evitar a aplicação de novas tarifas a produtos do país, ao mesmo tempo em que reafirmou a intenção de excluir o etanol das negociações. A avaliação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, nesta terça-feira (7 de julho de 2026).
Após mais uma rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o ministro informou que Washington demonstrou abertura para ampliar a cooperação bilateral no enfrentamento ao crime transnacional, tema que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha solicitando.
Márcio Elias Rosa declarou que há reconhecimento por parte dos americanos de que é possível avançar nessa frente. Ele também anunciou a previsão de uma nova reunião técnica e de um encontro em nível político com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, ainda nesta semana, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre eventuais sobretaxas.
Apesar dos progressos, o ministro ressaltou que o governo brasileiro pretende manter o foco exclusivamente na questão tarifária e evitar a inclusão de outras pautas nas negociações. Segundo ele, essa orientação é direta do presidente, que determinou permanecer nas negociações sem permitir a ampliação do escopo das discussões.
Etanol fora da negociação
O ministério voltou a defender que o etanol não deve ser objeto desse diálogo comercial. Rosa argumentou que tratar apenas a tarifa sobre o biocombustível desconsidera a integração entre as cadeias produtivas do etanol e do açúcar e os efeitos sobre a indústria nacional.
O ministro também lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras significativas no mercado americano, com uma sobretaxa que chega a quase 100%, e afirmou que não é possível dissociar as duas cadeias produtivas na avaliação dos impactos comerciais.
Diante do prazo curto para um entendimento, o governo pretende concentrar esforços nos pontos com maior probabilidade de avanço, segundo o ministro.
Apoio do setor
Na audiência pública promovida pelo USTR, entidades como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil manifestaram apoio à posição do governo. As organizações sustentaram que a redução das importações de etanol americano se deveu principalmente à expansão da produção nacional de etanol de milho, e não apenas a tarifas.
Representantes do setor defenderam que Brasil e Estados Unidos, líderes mundiais na produção de etanol, deveriam priorizar a ampliação do mercado internacional de biocombustíveis em vez de intensificar disputas comerciais bilaterais.
Contexto da investigação
As negociações ocorrem enquanto o USTR conduz investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que permite a Washington apurar práticas comerciais de outros países e, se for o caso, aplicar medidas como sobretaxas sobre importações. No processo relacionado ao Brasil, o governo americano examina políticas ligadas ao comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outros temas, e realiza uma consulta pública antes de tomar uma decisão final.
As conversas entre Brasília e Washington seguem nos próximos dias com a expectativa de avanços práticos nas frentes em que há consenso, enquanto o etanol permanece fora da pauta de negociação.
Com informações de Agência Brasil



