Ex-ministra participou de seminário em João Pessoa sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha

A ex-ministra das Mulheres do governo Lula, Cida Gonçalves, pediu nesta quinta-feira (27), em João Pessoa, o aumento da presença de mulheres na política e chamou atenção para a manutenção de condutas misóginas dentro do Parlamento. A fala ocorreu durante seminário promovido pelo Cendac em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha.

Cida afirmou que, apesar de ninguém querer ser rotulado como misógino, ainda há muitos parlamentares que reproduzem práticas e discursos que prejudicam a participação feminina na vida pública. Para a ex-ministra, eleger mulheres comprometidas com a democracia e com políticas sociais é imprescindível para enfrentar esse quadro.

Especialista no combate à violência contra as mulheres, Cida reforçou que o voto feminino será decisivo nas próximas eleições e que a ampliação da representação feminina no Legislativo é condição para transformar experiência administrativa em normas, orçamento e políticas públicas.

Como exemplo de candidatura que, segundo ela, encarna essa proposta, Cida destacou a postulação de Lídia Moura a deputada federal. A ex-ministra mencionou a experiência de Lídia na gestão pública, sua trajetória política e o compromisso com grupos historicamente excluídos como elementos que a qualificam para defender direitos das mulheres na Paraíba.

Segundo Cida, candidaturas como a de Lídia também são estratégicas para fortalecer as ações do governo do presidente Lula nas áreas sociais, na proteção das mulheres e na defesa da democracia. Ela afirmou que as mulheres, por defenderem políticas sociais e programas de impacto direto na população, tendem a apoiar esse alinhamento.

Apesar dos avanços, a ex-ministra avaliou que o número de candidaturas femininas permanece aquém do necessário. Entre os obstáculos citados estão a falta de recursos financeiros, o pouco tempo de campanha e a ausência de garantias efetivas por parte dos partidos para apoiar candidaturas de mulheres.

Cida ainda alertou para a persistência da violência política de gênero e para discursos de ódio que visam afastar mulheres dos espaços de decisão. Ela afirmou que existe uma disputa com caráter misógino para impedir a ocupação do poder por mulheres, mas destacou a força e a resistência do movimento feminino, que não recua diante dessas tentativas.

Na avaliação final, temas como feminicídio e violência contra as mulheres passaram a influenciar diretamente a escolha das eleitoras, uma vez que as mulheres são maioria do eleitorado e têm uma pauta concreta que inclui igualdade, cuidado e direitos; por isso, reiterou, o voto feminino será determinante nas eleições.

Com informações de Polemicaparaiba