O advogado e professor de Direito João de Deus Quirino Filho avaliou, em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, que a atual sequência de conflitos públicos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá ser utilizada em estratégias de campanha nas eleições, embora não deva provocar mudanças significativas nas intenções de voto já formadas.

João de Deus afirmou que, em um cenário político polarizado, os episódios do STF rapidamente viram tema de palanque e instrumento de discurso eleitoral. Mesmo assim, o jurista considerou improvável que ele venham a alterar de modo expressivo o comportamento de eleitores que já escolheram seus candidatos. Segundo ele, é possível haver alguma influência pontual, mas não uma transformação generalizada do resultado eleitoral.

O advogado chamou atenção para o efeito amplificador que pequenas ações ganham em momentos de disputa eleitoral fragmentada e com margens de vantagem reduzidas. Para João de Deus, qualquer deslize nas altas instâncias tende a ser explorado politicamente, com tentativas de ligar decisões judiciais a interesses partidários ou a vínculos entre ministros e governantes.

Ao comentar alegações que associam magistrados aos presidentes que os indicaram, o professor ressaltou a necessidade de cautela. Ele citou exemplos de nomeações para ilustrar o ponto: Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer e André Mendonça por Jair Bolsonaro, mas, na opinião de João de Deus, essas relações não justificam, por si só, a imputação automática de alinhamento político entre ministros e os governos que os escolheram.

Um ponto central da intervenção do jurista foi a defesa da independência do Judiciário. João de Deus destacou a urgência de manter a atividade jurisdicional distante das disputas partidárias para preservar a imparcialidade das decisões. Ele afirmou que a polarização deve permanecer no campo político e eleitoral, sob responsabilidade da Justiça Eleitoral, enquanto o funcionamento da Suprema Corte e dos tribunais estaduais precisa ser resguardado da influência partidária.

A entrevista completa com João de Deus foi veiculada no programa Olho Vivo, em vídeos disponibilizados pela emissora.





Com informações de Diariodosertao