O deputado federal Luiz Couto (PT-PB) declarou, na terça-feira (23), ser contrário à permanência da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV desde 2022. Em entrevista ao programa Frente a Frente, da TV Arapuan, o parlamentar afirmou que atuará para desfazer o agrupamento partidário e levará o tema a uma reunião com o presidente Lula.

“As pessoas quando entram na federação só pensam nelas, não pensam no conjunto. Sou contra a federação e defenderei isso na reunião que teremos, inclusive, com o presidente Lula”, afirmou Couto durante a conversa transmitida pela emissora paraibana.

Reação imediata dos dirigentes

A fala do petista provocou respostas rápidas de representantes das duas siglas que completam a federação no estado. A presidente estadual do PCdoB, Gregória Benário, disse desconhecer o posicionamento de Couto, mas ressaltou que a aliança tem apresentado bons resultados. “Nossa federação vem dando tão certo que outras forças políticas a têm como modelo”, declarou.

Já o sargento Dênis (PV), que preside a Federação Brasil da Esperança na Paraíba, avaliou que o posicionamento de Luiz Couto contraria a estratégia nacional de fortalecimento da esquerda no Congresso. “Eu lamento essa declaração e mostra que a prioridade não é Lula. Cada um cuida de si”, afirmou.

Origem da federação

Firmada em 2022, a Federação Brasil da Esperança foi criada para unificar a atuação parlamentar e eleitoral de PT, PCdoB e PV em todo o país pelo período mínimo de quatro anos, conforme prevê a legislação. O objetivo do arranjo é concentrar forças, ultrapassar cláusulas de desempenho e aumentar a representação dos partidos alinhados à esquerda no Congresso Nacional.

Na prática, a federação obriga as legendas integrantes a atuarem como um bloco único em votações e na formulação de chapas eleitorais. Mudanças na composição ou a dissolução antecipada só podem ocorrer com aval das direções nacionais e estão sujeitas a sanções da Justiça Eleitoral.

Próximos passos

Luiz Couto não detalhou quais medidas pretende adotar para levar adiante sua proposta de ruptura, mas indicou que defenderá o tema em reunião interna da federação e junto ao presidente Lula. Até o momento, o diretório nacional do PT não se pronunciou sobre a declaração do deputado paraibano.

Dirigentes de PCdoB e PV reforçaram que, apesar da discordância pontual, continuam comprometidos com a manutenção do bloco. Eles argumentam que a federação contribuiu para ampliar a bancada de esquerda em 2022 e pode ser determinante para as eleições municipais de 2024 e gerais de 2026.

O episódio expõe divergências internas no campo progressista paraibano sobre a condução da aliança, mas, por ora, não há definição sobre qualquer mudança formal na estrutura partidária nacional.

Com informações de Polemicaparaiba