O consumo combinado de bebidas alcoólicas e energéticos tem crescido no Brasil, e especialistas alertam para os perigos dessa prática, sobretudo entre pessoas jovens. Segundo médicos, a associação entre os dois produtos pode reduzir a percepção de embriaguez e fadiga, levando a ingestão maior de álcool e elevando a chance de problemas cardíacos graves.
Dados da consultoria Kantar mostram que, até setembro de 2024, energéticos estavam presentes em 38% dos lares brasileiros, com 22 milhões de domicílios passando a consumir a categoria. Pesquisa do Datafolha aponta que 49% da população adulta declara consumir bebidas alcoólicas com frequência que varia de semanal a mensal.
Efeitos opostos no organismo
O cardiologista Guilherme Athayde explica que a combinação é perigosa porque envolve ações conflitantes no organismo: o álcool tem efeito depressor sobre o sistema nervoso central, enquanto os energéticos contêm ingredientes que aumentam a estimulação do coração e do cérebro. Na prática, essa interação pode camuflar a sensação de ficar bêbado, incentivar maior consumo e elevar a probabilidade de arritmias, hipertensão arterial, infarto e até morte súbita, especialmente em jovens que se sentem mais despertos.
Ao amenizar o cansaço e a percepção de intoxicação, os energéticos podem contribuir para um consumo excessivo de álcool, sobrecarregando o coração e facilitando alterações no ritmo cardíaco.
Infartos entre jovens em alta
Registros do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que, nos últimos 16 anos, os casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos mais que dobraram, com um aumento de 158% nas internações por complicações cardíacas nessa faixa etária. Embora ataques cardíacos sejam historicamente mais comuns em idosos, fatores de risco têm se tornado mais frequentes entre a população jovem.
Além da mistura entre álcool e energéticos, Athayde lista outros elementos que aumentam o risco cardiovascular precoce, como:
- uso de drogas estimulantes;
- uso de anabolizantes;
- privação de sono;
- estresse crônico;
- uso de cigarro eletrônico;
- sedentarismo;
- consumo de alimentos ultraprocessados.
Esses fatores favorecem processos inflamatórios nas artérias, elevam a pressão arterial, facilitam arritmias e podem desencadear um infarto mesmo na ausência de diagnóstico prévio de doença cardíaca.
Sinais de alerta
Os sintomas clássicos de infarto incluem dor ou sensação de pressão no peito que persiste por vários minutos; dor que se irradia para o braço, mandíbula ou costas; falta de ar; e suor frio, náusea ou tontura. Em pacientes mais jovens, as manifestações podem ser atípicas, como palpitações, mal-estar súbito ou cansaço intenso sem causa aparente. Em caso de suspeita, o médico recomenda buscar atendimento imediato, pois cada minuto conta para a preservação do músculo cardíaco.
Prevenção e orientações
Profissionais de saúde defendem que informação é peça-chave na prevenção. A recomendação é evitar misturar álcool com energéticos e adotar hábitos saudáveis: praticar atividade física regularmente, manter alimentação equilibrada e realizar acompanhamento médico periódico. Para quem consome o sabor de energético como atrativo, há no mercado opções alcoólicas com aroma semelhante, mas sem substâncias como taurina e cafeína, apontadas como alternativas menos conflitantes com o álcool.
As orientações médicas ressaltam que, além de reduzir a combinação desses produtos, é fundamental controlar outros fatores de risco para diminuir a incidência de doenças cardiovasculares entre os mais jovens.
Com informações de Jornaldaparaiba




