Ministério Público pede afastamento e bloqueio de bens de policiais investigados

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou, nesta segunda-feira (31 de agosto de 2026), ação civil por improbidade administrativa contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge, que estão presos sob suspeita de participação em esquema de desvio de entorpecentes. A peça processual busca responsabilizar os servidores na esfera cível e solicita medidas liminares imediatas.

Na ação, o MPPB requer o afastamento cautelar dos três investigados de suas funções públicas e o bloqueio de bens como forma de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. Segundo o órgão, a medida é necessária para assegurar o regular andamento do processo e evitar a ocorrência de novos delitos.

Os acusados — identificados pelo MPPB como Everton Rychelyson da Silva Aires, Eduardo Jorge Ferreira do Egito e o delegado Braz Marroni de Paiva Júnior — atuavam na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Conforme as investigações, eles teriam aproveitado a condição de policiais para se apropriar de drogas apreendidas e também subtrair entorpecentes pertencentes a terceiros, simulando procedimentos policiais antes de revender o material a terceiros, inclusive em benefício de uma organização criminosa com a qual mantinham vínculo.

O processo é um desdobramento de apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), iniciadas a partir de denúncia anônima. Segundo o MPPB, os fatos investigados ocorreram entre 2024 e 2026.

Sobre a nova ação, a defesa de Eduardo Jorge declarou que recebeu a notícia “com perplexidade”, afirmou que tomou conhecimento do processo pela imprensa e que ainda não teve acesso integral às provas apresentadas contra ele. As defesas de Braz Morrone e de Everton Aires não responderam até a última atualização da reportagem.

O Ministério Público já havia denunciado os mesmos policiais em outra ação criminal relacionada ao desvio de drogas e a invasões de residências. Na primeira denúncia, o Gaeco imputou aos investigados crimes como furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual, e pediu, além da condenação criminal, perda dos cargos públicos, conversão das prisões temporárias em preventivas e pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

Para embasar as acusações, o MPPB informa que reuniu elementos como análise de celulares, registros de geolocalização da viatura envolvida, quebras de sigilo telemático, bancário e fiscal, monitoramento, documentos e depoimentos.

As investigações continuam em curso.

Com informações de G1