A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou na manhã desta terça-feira (18) uma sessão especial destinada a intermediar o impasse entre professores em greve da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Reitoria da instituição e o Governo do Estado. O encontro, entretanto, ocorreu apenas com a participação do comando de greve, já que nenhum representante da administração estadual ou da universidade compareceu.
Estavam aguardados o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Cláudio Furtado; o secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, Gilmar Martins; e a reitora da UEPB, Célia Regina Diniz. Os três não justificaram presença. A ausência frustrou a expectativa de avanço nas negociações, que se arrastam desde setembro.
A sessão foi solicitada pela deputada Cida Ramos (PT), integrante da Comissão de Educação, e pelo deputado Taciano Diniz (União), da Comissão de Orçamento. A condução dos trabalhos coube ao deputado Felipe Leitão (Republicanos). Parlamentares de situação e oposição participaram da discussão, mas apenas os docentes tiveram representantes em plenário.
Na tribuna, a presidente da Associação dos Docentes da UEPB (Aduepb), professora Elisabete Vale, voltou a defender a criação de uma mesa tripartite composta pelo Governo, pela Reitoria e pelo movimento grevista. “Não é possível resolver uma greve por meio de notas divulgadas entre Governo e Reitoria”, afirmou, classificando a ausência das autoridades como “desrespeitosa”.
Impasse chega perto de dois meses
A greve foi aprovada pelos professores em 18 de setembro e passou a vigorar no dia 22 do mesmo mês. Entre os principais pontos de reivindicação estão a realização de concursos públicos, a recomposição salarial e o cumprimento da Lei da Autonomia da UEPB, em vigor há mais de duas décadas.
Até o momento, duas propostas destinadas a encerrar a paralisação foram apresentadas. A oferta mais recente, formulada pela Reitoria, incluiu um deságio de 40% sobre retroativos referentes às progressões docentes, além de parcelamento do valor residual em 24 prestações. Os grevistas rejeitaram a iniciativa, alegando perda financeira considerável e falta de garantia quanto ao cronograma de pagamento.
Na semana anterior à sessão de hoje, representantes do movimento reuniram-se com a Reitoria exatamente para reiterar a necessidade de diálogo tripartite, mas não obtiveram definição de agenda. Sem avanço, as aulas seguem suspensas em todos os campi da UEPB, que conta com aproximadamente 20 mil estudantes.
Com a ausência do Executivo estadual e da administração universitária, a mediação da ALPB encerrou-se sem encaminhamentos concretos. Uma nova data para continuação dos debates ainda não foi marcada.
Com informações de Jornaldaparaiba



