Operação e alvos
A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (29), a Operação Zona de Influência para investigar uma suposta negociação de apoio eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa com atuação em comunidades da Paraíba. A ação incluiu buscas e apreensões em endereços de João Pessoa e Cabedelo.
Objeto da investigação
A apuração aponta para a suspeita de crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado. Segundo a investigação, membros do grupo criminoso teriam utilizado o controle territorial sobre determinadas comunidades para oferecer apoio político a candidatos, permitindo a entrada de campanhas nesses locais durante atos eleitorais.
Como teria funcionado a negociação
De acordo com as apurações, o apoio seria negociado mediante pagamentos a uma liderança da facção, custeio de despesas de um centro comunitário e tratativas envolvendo nomes para cargos e empregos na administração pública, entre outros benefícios a serem oferecidos em troca da facilitação do acesso aos territórios controlados pelo grupo.
Mandados cumpridos e afastamento
Foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) sete mandados de busca e apreensão. A Justiça Eleitoral também determinou o afastamento cautelar, por 90 dias, de um secretário municipal de João Pessoa. As medidas foram cumpridas nos bairros Ponta de Campina e Intermares, em Cabedelo, e nos Bancários e na comunidade Aratu, em Mangabeira, na capital.
O que foi apreendido
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu R$ 220 mil na residência de um dos investigados. Também foram recolhidos o celular do deputado estadual Caio Roberto (MDB), o celular do secretário Júnior Pires e anotações que, segundo a investigação, indicam supostas compras de votos.
Investigados
Entre os alvos está o deputado estadual Caio Roberto (MDB), candidato à reeleição nas Eleições 2026. O secretário-chefe do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de João Pessoa, Júnior Pires, foi afastado do cargo no âmbito da operação. A identificação dos alvos foi confirmada pelo Núcleo de Política da Rede Paraíba de Comunicação.
Posicionamentos
A Prefeitura de João Pessoa informou, em nota, que ainda não recebeu notificação oficial sobre a decisão judicial que determinou o afastamento cautelar do servidor. O Município afirmou que está à disposição para colaborar com as autoridades e reafirmou confiança na Justiça e no devido processo legal.
Em nota, o deputado Caio Roberto negou a prática de qualquer ilícito, afirmou que cumpriu diligência solicitada pela Polícia Federal e declarou que seguirá com sua campanha “com absoluta tranquilidade”. A defesa de Júnior Pires também negou vínculo do secretário com organizações criminosas ou negociação de apoio político com facções, e informou que ele pediu exoneração do cargo para se dedicar à defesa.
As apurações seguem em andamento e eventuais novas medidas deverão ser comunicadas pelas autoridades responsáveis.
Com informações de G1



