O dólar retomou a alta e encerrou a sexta-feira (15) vendido a R$ 5,067, avanço de R$ 0,081 (1,63%), alcançando o maior patamar em cerca de um mês. No mesmo dia, a bolsa brasileira registrou queda, em meio a um ambiente de aversão ao risco causado por fatores internacionais e incertezas políticas domésticas.
Ao longo do pregão, a cotação do dólar chegou a R$ 5,08 por volta das 13h antes de moderar a alta no fim da tarde. A moeda acumulou ganho de 3,48% na semana, embora ainda registre queda de 7,70% no ano. Trata-se do valor mais elevado desde 8 de abril, quando o dólar fechou a R$ 5,10.
O índice Ibovespa, da B3, fechou em 177.284 pontos, com recuo de 0,61%. O pregão foi marcado por pressão constante, influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelo aumento das preocupações fiscais e políticas no Brasil. O índice chegou a cair mais de 1% pela manhã, reduzindo parte das perdas ao longo do dia, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras.
Pressão externa
O movimento global de risco refletiu a guerra no Oriente Médio e a elevação dos preços do petróleo, que reforçaram expectativas de pressão inflacionária e aumentaram a probabilidade de alta de juros nos Estados Unidos. Investidores passaram a precificar maior espaço para elevações pelo Federal Reserve.
A tendência ganhou intensidade após uma forte alta nos juros dos títulos públicos do Japão durante a madrugada: os papéis de dez anos atingiram 2,37%, o maior nível desde 1999, e os de 30 anos superaram 4%. A aceleração da inflação ao produtor no Japão para 4,9% em abril também contribuiu para o movimento. Esse cenário levou ao desmonte parcial de operações de carry trade, com saída de recursos de mercados emergentes e fortalecimento do dólar.
Ruído político e bolsas
No Brasil, desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro elevaram a aversão ao risco local, segundo avaliações do mercado, intensificando a busca por proteção na moeda americana. O site Intercept Brasil também divulgou nova reportagem relacionando o deputado cassado Eduardo Bolsonaro ao Banco Master, alimentando a cautela.
Em Nova York, o S&P 500 caiu 1,23%, pressionado pela perspectiva de juros mais elevados por mais tempo nos Estados Unidos, o que refletiu nos ativos brasileiros.
Petróleo dispara
Os preços do petróleo reagiram às tensões no Golfo Pérsico e fecharam em forte alta: o Brent avançou 3,35%, a US$ 109,26 por barril, e o WTI subiu 4,2%, a US$ 105,42. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a paciência em relação ao Irã e a resposta do chanceler iraniano Abbas Araqchi também influenciaram o mercado.
O prolongamento da crise na região mantém elevada a preocupação com inflação global, pressionando juros e ampliando a volatilidade nos mercados financeiros.
Com informações da Reuters
Com informações de Agência Brasil



